
Antes descrevíamos as pessoas pelos estados de humor: triste, feliz, ansioso e calmo. Hoje todos se tornaram doenças, Fulano é DDA, seu amigo é Bipolar, sua tia vive na Depressão, seu vizinho tem Transtorno Obsessivo e seu filho é Hiperativo. É como se as doenças tivessem se tornado uma espécie de identidade da pessoa: André Transtorno de Ansiedade da Silva.
Vamos parar de nos tratar como desregulados e encarar essas patologias como consequência normal diante do tipo de vida que estamos levando, digo que são doenças da sociedade porque a civilização é consumista, desigual, violenta e competitiva, quer dizer, difícil não se tornar paranoico diante dessas circunstâncias, não?
Somos colocados a prova dia após dia e o resultado não poderia ser diferente.
Está na hora de parar de tratar as pessoas isoladamente como desequilibradas e tentar primeiramente equilibrar a sociedade como um todo, enquanto isso não acontece, liga o foda-se e se permita enlouquecer de vez em quando, resgate a criança de dentro e deixe a vida fluir de encontro com o que te faz bem, porque mais potente que a Ritalina, o Rivotril e o Diazepam, está o sorriso fácil, o tempo para o vinho no fim de tarde, o apego a coisas simples, aquela viagem de fim de ano com a família e um motivo e objetivo de vida puro.
(Lais, I.)